Um dos cenários mais inóspitos e fascinantes do planeta, o Deserto do Atacama se tornou, em 2025, o ponto de partida para uma jornada que ultrapassa fronteiras físicas.

A missão técnica promovida pelo Polo Sebrae de Turismo de Experiência reuniu gestores, líderes e empreendedores brasileiros para observar, sentir e traduzir, em campo, como um destino de classe mundial opera suas experiências com autenticidade e precisão.

Foto: André Ulysses De Salis/Pexel

Alguns materiais, fruto desse mergulho, foram produzidos e estão disponíveis para consulta na página do polo. Um deles é o e-book “Atacama 2025: O deserto que ensina — Um Guia de Boas Práticas para o Turismo de Experiência Brasileiro”, documento que sistematiza aprendizados a partir da vivência no território chileno e apresenta caminhos práticos para inspirar destinos e negócios no Brasil.

Por que o Atacama? Um laboratório vivo para quem produz turismo

Imagine um lugar onde o silêncio vira trilha sonora, a arquitetura nasce da terra, o céu funciona como um observatório natural e cada gesto de hospitalidade é guiado pela sabedoria ancestral.

No Atacama, tudo comunica e é justamente nessa harmonia entre natureza, cultura e operação que reside seu maior valor como referência global.

Foto: Our Habitas

A missão do Polo Sebrae partiu dessa premissa: olhar para o deserto como um campo de aprendizagem. O grupo investigou a engrenagem que sustenta experiências impecáveis, do receptivo à hotelaria, da gastronomia ao bem-estar, da arquitetura ao vínculo com a comunidade.

Os eixos centrais do aprendizado: o que o deserto ensina

A partir da vivência em campo, os materiais produzidos organizam os ensinamentos em blocos que ajudam o leitor a compreender como cada elemento contribui para a construção de experiências transformadoras.

1. Autenticidade e conexão com o território: a alma de qualquer experiência

A arquitetura em adobe, os tetos de paja brava, os morteiros expostos, a presença de artesanato local, os jardins mantidos com espécies nativas: tudo nasce do solo e da cultura que ali existe. Foi possível notar in loco como a  identidade do território precisa ser visível, tátil e coerente em todos os detalhes.

A flora atacamenha é tratada como patrimônio vivo e isso se reflete em protocolos de hospitalidade. Em um dos hotéis visitados, os hóspedes são apresentados às plantas utilizadas para o manejo da “puna”(mal de altitude). Esse cuidado, baseado no conhecimento ancestral, transforma um possível desconforto em aprendizagem e conexão cultural.

No Atacama, comer é entender a paisagem. Alguns restaurantes trabalham com ingredientes andinos e apresentam pratos que dialogam com as cores e texturas do deserto. Outros utilizam insumos locais, como as laranjas de Pica ou a alface orgânica produzida ali. A gastronomia torna-se, assim, uma narrativa.

Outro ensinamento importante: um destino só é verdadeiramente autêntico quando sua comunidade participa da construção das experiências. A presença, história e modo de se relacionar com o território criam uma conexão emocional muito forte e transmitem pertencimento.

2. Receptivos turístico que vão além do passeio

Um dos aprendizados mais marcantes da missão é que, no Atacama, um receptivo pode orquestrar uma experiência.

Os receptivos de excelência observados no destino operam com uma lógica muito distinta da prática comum no mercado brasileiro. Eles estruturam sua entrega sobre três pilares fundamentais:

  1. Excelência operacional, sustentada por processos claros, padronização e uma entrega consistente, independentemente da equipe presente no dia.
  2. Logística invisível, onde cada detalhe é planejado para que o visitante perceba apenas fluidez: da montagem impecável de um brunch no meio do deserto ao transporte cuidadoso de equipamentos especiais.
  3. Personalização inteligente, que inclui desde a escolha do guia mais adequado ao perfil do grupo até gestos que criam sensação de exclusividade — como cobertores aquecidos, massagens ao ar livre nas Termas de Puritama ou pequenas cortesias preparadas especialmente para aquele momento.

3. Guias: o maior ativo de um receptivo de excelência

No Atacama, o guia é o profissional que une conhecimento técnico, sensibilidade e capacidade de leitura do grupo para garantir que tudo aconteça com fluidez.

Os guias atuam como verdadeiros operadores da experiência:

  • cuidam ativamente do bem-estar, especialmente diante dos desafios da altitude;
  • adaptam a narrativa à paisagem e ao contexto do momento;
  • resolvem imprevistos com autonomia;
  • montam, servem, orientam, fotografam e guiam sem quebrar a imersão;
  • representam a marca em cada gesto, decisão e interação.

Essa multidisciplinaridade aparece de forma natural. É por isso que a excelência desses profissionais “se torna invisível”: o visitante não percebe a complexidade por trás da entrega, apenas sente que tudo flui, que tudo faz sentido e que ele está em boas mãos.

4. Hotelaria: o palco da experiência

No Atacama a hotelaria é o núcleo da imersão, o ambiente que molda o ritmo, a atmosfera e até a forma como o visitante interpreta o território.

Os empreendimentos observados apresentam propostas muito diferentes entre si e é justamente isso que os torna tão inspiradores. Cada um materializa um caminho possível para transformar hospedagem em experiência estruturante:

  • Inclusão da comunidade no processo da experiência com atividades de bem-estar conduzidas por profissionais da comunidade. O impacto é duplo: autenticidade para o hóspede e fortalecimento econômico local.
  • Personalização: a jornada é moldada inteiramente pelo perfil do hóspede, reforçando a sensação de exclusividade e liberdade. 
  • O modelo all-inclusive com experiências onde é dado ao hóspede a possibilidade de escolher entre passeios privativos ou compartilhados, sempre guiados por profissionais experientes.
  • Sustentabilidade como prática operacional: energia solar, reuso de águas, integração à paisagem e o uso de artesanato local compõem uma experiência que respeita o território e o transforma em parte viva da hospedagem.

Hotel Awasi. Foto: Awasi Atacama

Como acessar o conhecimento construído pelo Polo Sebrae de Turismo de Experiência durante a missão técnica?

 

Os materiais produzidos sobre a Missão Técnica do Atacama estão disponíveis na página do Polo Sebrae de Turismo de Experiência. São eles: uma série de vídeos e um e-book que sistematiza aprendizados a partir da vivência no território chileno e apresenta caminhos práticos para inspirar destinos e negócios no Brasil.

Acesse o conteúdo em: https://sebrae.com.br//Sebrae/Portal%20Sebrae/UFs/ES/Biblioteca%20Digital%20ES/E-books/Polo%20de%20Turismo%20de%20Experi%C3%AAncia/ATACAMA%202025%20-%20EBOOK-O-deserto-que-ensina-VF.pdf

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Renata Agostini Vescovi

É graduada em Administradora de Empresas com Mestrado pela FUCAPE Business School - Escola Superior em Vitória, ES. No SEBRAE/ES, desde 2003, já atuou em diversas frentes: gestora de produtos na unidade de Acesso a Mercados, coordenadora estadual de projetos setoriais (madeira e móveis, artesanato), coordenadora da Agência Regional de Desenvolvimento da Região Metropolitana, gerente da Unidade de Atendimento Setorial Serviços onde liderou projetos setoriais de Turismo, Economia Criativa, Saúde, Beleza e Estética, Artesanato e Cultura. Atualmente é assessora técnica da diretoria e coordenadora do Polo Sebrae de Turismo de Experiência.