Plataformas digitais ampliam sua presença na venda de atividades turísticas. O movimento revela uma mudança na forma como experiências são distribuídas no turismo e coloca em evidência a disputa pelos canais de comercialização do setor.

 

Nos últimos anos, o mercado digital de turismo passou a dedicar mais atenção ao segmento de atividades e experiências. Esse tipo de produto — que inclui visitas guiadas, experiências gastronômicas, atividades na natureza e vivências culturais — tornou-se uma parte cada vez mais relevante da economia do turismo. Plataformas especializadas nesse tipo de produto ampliaram gradualmente seu escopo de atuação. O foco, que antes estava concentrado na venda pontual de tours, ingressos e atividades guiadas, passa a incluir também ferramentas de planejamento e organização da viagem.

Foto: Embratur

Um exemplo recente é a estratégia anunciada pela Civitatis, que sinaliza interesse em ampliar sua atuação na jornada do viajante. Ao integrar recomendação, planejamento e reserva de atividades, plataformas desse tipo passam a disputar um espaço maior dentro dos canais de comercialização do turismo de experiência.

Esse movimento ajuda a evidenciar uma discussão que já vinha sendo feita dentro do próprio setor.

Como funcionam os canais de comercialização do turismo de experiência

Ao contrário de outros segmentos da indústria turística, as experiências costumam circular por uma variedade de canais de venda. A comercialização pode ocorrer diretamente pelos próprios empreendimentos, por meio de agências e operadoras, por receptivos locais ou por plataformas digitais.

Essa diversidade reflete a própria natureza do turismo de experiência, marcado pela presença de pequenos operadores, atividades fortemente conectadas ao território e produtos muitas vezes personalizados.

O estudo “Diretrizes e dicas de mercado para o turismo de experiência”, desenvolvido pelo Polo Sebrae de Turismo de Experiência com apoio técnico da Turismo 360, aponta que o setor tende a operar em um modelo multicanal. 

Nesse modelo, diferentes canais de comercialização do turismo de experiência coexistem e cumprem funções distintas ao longo da jornada de compra. Em vez de substituir estruturas existentes, novos canais tendem a se somar ao ecossistema de distribuição das experiências.

A jornada do turista passa por diferentes canais

Uma das principais conclusões do estudo é que o processo de decisão do viajante raramente ocorre em um único ambiente.

Em muitos casos, o turista descobre uma experiência em redes sociais, busca informações adicionais no site do empreendimento, compara opções em uma plataforma digital e, finalmente, realiza a atividade diretamente com o empreendimento local.

Portanto, os canais de comercialização do turismo de experiência não funcionam de forma isolada. Eles compõem uma jornada fragmentada e complementar, na qual cada canal desempenha um papel específico.

Para os empreendimentos, isso exige consistência entre comunicação, disponibilidade de informações e sistemas de reserva.

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O crescimento das plataformas de experiências

Nos últimos anos, plataformas digitais passaram a ocupar um espaço cada vez mais relevante na distribuição de atividades turísticas.

Esse crescimento acompanha a digitalização do planejamento de viagens e a consolidação das experiências como um dos principais componentes da jornada do turista.

Por que as experiências se tornaram um produto estratégico no turismo

Durante muito tempo, atividades locais foram tratadas como um complemento da viagem. A prinipal decisão do turista costumava estar associada ao destino, ao transporte e à hospedagem.

Nos últimos anos, porém, experiências passaram a ocupar um papel mais central na motivação da viagem.

Em muitos casos, o visitante escolhe o destino justamente em função do tipo de experiência que deseja viver — seja gastronomia, natureza, cultura ou atividades guiadas.

Consequentemente, a comercialização dessas atividades passou a ganhar maior relevância dentro da cadeia turística. Nesse cenário, os canais de comercialização do turismo de experiência tornam-se uma peça estratégica para conectar oferta e demanda.

Plataformas passam a organizar a oferta

Ao mesmo tempo, plataformas digitais passaram a oferecer mecanismos de busca, comparação e reserva que facilitam o acesso a esse tipo de produto.

Além de ampliar a visibilidade das experiências, essas plataformas ajudam a estruturar uma oferta que antes era altamente fragmentada.

Como resultado, empresas desse segmento começam a disputar um papel mais amplo na jornada do viajante, posicionando-se não apenas como intermediárias de venda, mas também como organizadoras da descoberta e do planejamento das experiências.

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O controle dos dados do viajante

À medida que plataformas digitais ampliam sua atuação na venda de atividades, outro aspecto passa a ganhar relevância no debate sobre os canais de comercialização do turismo de experiência: o acesso aos dados do cliente.

Em outras palavras, não se trata apenas de quem realiza a venda da experiência, mas também de quem detém as informações sobre o comportamento do viajante ao longo da jornada de compra.

Quando a reserva acontece na plataforma

Quando a reserva é feita por meio de uma plataforma digital, grande parte das informações sobre o cliente permanece com o intermediário.

Isso inclui dados como origem da busca, preferências de atividades, padrões de consumo e histórico de compras.

Além disso, essas plataformas conseguem acompanhar a jornada completa do usuário dentro do ambiente digital. Consequentemente, acumulam informações valiosas que podem ser usadas para melhorar sistemas de recomendação, personalizar ofertas e ampliar a retenção de clientes.

O impacto para empreendimentos locais

Para empreendimentos locais, a intermediação digital cria uma dinâmica diferente daquela observada na venda direta.

Quando a reserva ocorre diretamente com o empreendimento, o relacionamento com o visitante tende a começar ainda na fase de planejamento da viagem.

No entanto, quando a compra é intermediada por uma plataforma, o contato entre quem comercializa e o cliente costuma acontecer apenas no momento da realização da experiência.

Nesse caso, parte do relacionamento com o viajante — e sobretudo os dados gerados durante o processo de compra — permanece concentrada no intermediário.

Um debate já conhecido em outros segmentos do turismo

Esse fenômeno não é exclusivo do turismo de experiência.

Ele já foi amplamente discutido em outros segmentos do setor, como hospedagem e passagens aéreas, onde a relação entre venda direta e plataformas intermediárias se tornou parte central da estratégia comercial das empresas.

No turismo de experiência, porém, esse debate começa a ganhar força apenas recentemente, à medida que plataformas ampliam sua presença nos canais de comercialização do turismo de experiência.

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O desafio de equilibrar alcance e autonomia

Ainda assim, a intermediação digital não deve ser interpretada apenas como um risco para os empreendimentos.

Em muitos casos, as plataformas permitem acessar mercados internacionais e públicos que dificilmente seriam alcançados por canais próprios.

Por isso, o desafio estratégico para muitos empreendimentos não é evitar a presença em plataformas, mas equilibrar diferentes canais de comercialização do turismo de experiência.

A combinação entre venda direta e intermediação digital pode ampliar o alcance da experiência sem eliminar a possibilidade de construir relacionamento direto com o visitante.

Um tema cada vez mais estratégico para o setor

A ampliação do papel das plataformas na venda de atividades não altera apenas a forma de reservar experiências.

Ela reforça a importância de compreender como se estruturam os canais de comercialização do turismo de experiência em um ambiente cada vez mais digital.

À medida que plataformas ampliam sua presença na venda de atividades, a discussão sobre os canais de comercialização do turismo de experiências deixa de ser apenas operacional. Ela passa a envolver também questões estratégicas sobre distribuição, relacionamento com o visitante e acesso a dados de mercado. 

Em um setor marcado pela fragmentação da oferta, compreender como esses canais se organizam tende a se tornar cada vez mais relevante para operadores, destinos e empresas do turismo.

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