O Fórum Econômico Mundial publica, a cada dois anos, um estudo que analisa a competitividade do setor de viagens e turismo de mais de 100 economias do mundo. O relatório referente ao ano de 2019 foi lançado esse mês e notamos que o Brasil caiu 5 posições no ranking em relação a 2017. Mas o que é o índice e por quê o Brasil caiu tantas posições?

Primeiramente, considera-se importante explicar que é esse estudo. O chamado de Travel & Tourism Competitiveness Report avalia os países em diversos aspectos relacionados ao setor de turismo e gera um ranking geral de competitividade. O objetivo principal do estudo, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, é servir como uma ferramenta de subsídio e benchmarking para formuladores de políticas públicas, empresas e setores complementares ao turismo, de modo a fornecer informações sobre os pontos fortes e áreas de desenvolvimento para aumento da competitividade turística de cada país. 

A metodologia do estudo envolve quatro grandes sub-índices e 14 pilares, conforme figura abaixo. Cada pilar se desdobra em uma série de indicadores (são de mais de 90 no total):

Em 2017, o Brasil ocupava a 27ª colocação no ranking geral considerando 136 países, sendo o 1º lugar geral em recursos naturais. Ocupava ainda o 8º lugar em recursos culturais. De acordo com o relatório, o país desenvolveu uma infraestrutura de serviço turística relativamente boa, além de ter melhorado a conectividade aérea. Por outro lado, permaneciam como desafios a segurança e o ambiente negócios, em função, principalmente, da ineficiência do sistema legal, além das altas taxas. Além disso, a falta de priorização do turismo na agenda governamental, bem como a política ambiental foram destacados como pontos de melhoria.

No relatório de 2019, o país passou a ocupar o 32º lugar de 141 países. O Brasil perdeu a 1ª colocação no pilar de recursos naturais para o México, passando a ocupar a 2ª posição no ranking global. Considerando os indicadores que compõem o pilar de recursos naturais, o Brasil continua tendo a melhor performance no que se refere a variedade de espécies conhecidas. Para conhecer os resultados específicos do Brasil, acesse o link.

Os recursos culturais passaram da 8ª para 9ª colocação. Foram colocados ainda como influenciadores do resultado a piora na infraestrutura de serviços, na competitividade de preço e no quesito segurança e proteção. O ambiente de negócios permanece pouco favorável, há restrição de recursos humanos e o mercado de trabalho e a infraestrutura terrestre e portuária é pouco desenvolvida.

O estudo aponta que, para o Brasil atingir o seu potencial no turismo, é necessário haver uma efetiva priorização do setor. É importante ainda criar iniciativas para manter sua vantagem em recursos naturais e culturais e minimizar as barreiras de negócios, infraestrutura e segurança. Um ponto destacado como positivo no estudo é a maior abertura internacional do país decorrente da redução da exigência de vistos e melhor integração comercial.

Conheça o relatório completo do Travel & Tourism Competitiveness Report 2019.

 

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Isabela Sette

Isabela Sette

Também da terra do pão de queijo, mora em São Paulo e acredita que o turismo pode ser uma ferramenta importante de desenvolvimento local, com respeito e sustentabilidade. É estudiosa da área e adora escrever sobre o tema! Também é sócia da Turismo 360 e se sente privilegiada por trabalhar com amigos que tanto admira. Acredita que o Turismo Spot tem a missão de levar um conteúdo técnico relevante porém acessível, que pode ser aplicado no dia-a-dia da gestão do turismo. E de quebra ainda possibilita escrever e refletir com uma amiga e profissional das mais completas e visionárias que conhece, Marcela Pimenta!

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