O turismo é, certamente, um dos setores mais afetados pela crise econômica advinda do COVID-19. De acordo com projeções da Organização Mundial do Turismo (OMT), cerca de 120 milhões de empregos estão ameaçados e estima-se uma perda de mais de 900 bilhões em exportações.

É, portanto, urgente o desenvolvimento de medidas de suporte ao setor, responsável pela movimentação econômica de inúmeras regiões e países. Nesse contexto, a OMT preparou um documento orientativo com sugestões de iniciativas e ações para a retomada do setor.

As prioridades para recuperação do turismo, na visão da OMT, são:

Para a reabertura, a OMT recomenda o total cumprimento e respeito às normas locais de saúde, bem como o atendimento aos protocolos e cuidados, que devem ser construídos com  base em evidências adequadas às diferentes realidades. 

Do ponto de vista operacional, algumas sugestões de procedimentos para reabertura de equipamentos e destinos são:

  • Adaptação das estruturas para atender às regras de distanciamento físico;
  • Treinamento da equipe em segurança e protocolos sanitários e comunicar os protocolos e as responsabilidades aos clientes (bem como mantê-los informados);
  • Limpeza das superfícies com mais frequência, utilizando produtos e desinfetantes adequados com atenção especial à superfícies de maior contato;
  • Criar um plano no caso se um hóspede ou funcionário apresentar algum sintoma;
  • Redesenhar processos para ter mais operações digitais, sem contato (para pagamentos, por exemplo).

Já sob ponto de vista estratégico, há algumas orientações relevantes que merecem ser exploradas. Muitas delas não são novidades e vêm sendo apontadas como tendências há anos por estudos e projeções da própria OMT sobre o futuro no turismo. No entanto, o cenário descortinado pelo COVID-19 tende a acelerar e promover a materialização de algumas das projeções antes vislumbradas, acompanhadas por uma necessária adaptação do consumo em geral.

O foco turismo regional, por exemplo, é uma orientação apontada pela OMT que será, certamente, fortalecida ao menos no curto prazo. Isso porque as viagens com deslocamentos mais longos ficarão comprometidas (e menos frequentes) até que se tenha vacina ou tratamento efetivo contra a doença e isso acarretará no aumento da demanda por viagens curtas, realizadas com carro próprio.

O estabelecimento de parcerias com fornecedores e prestadores de serviço locais é outra recomendação destacada pela OMT. Sabe-se que a utilização de serviços e a compra de produtos locais podem trazer uma série de benefícios, dentre eles a movimentação econômica local e a diminuição da geração de carbono pelo transporte, fato este que já integrava as tendências vinculadas ao fortalecimento da sustentabilidade no turismo. Agora, mais do nunca, comprar do local acabará sendo quase que uma questão de necessidade porque os deslocamentos tendem a ser mais restritos no período de circulação do vírus.

A necessidade de estruturação de uma governança do turismo que envolva o setor público, privado e a comunidade no processo de desenvolvimento de turismo é outro ponto amplamente discutido e já consensuado entre profissionais e estudiosos do setor. A OMT orienta, contudo, que essa cooperação seja fortalecida, para que cada setor que compõe a cadeia produtiva do turismo atue de forma alinhada e colaborativa, considerando que a recuperação do turismo dependerá de um esforço conjunto.

O desenvolvimento de produtos segmentados e sustentáveis é também uma recomendação que já compunha as previsões e tendências do turismo antes da pandemia. Agora, porém, o contexto de curto prazo exigirá a criação de produtos para grupos menores e até individuais que fujam do convencional, uma vez que atrativos mais conhecidos e procurados (e, consequentemente, mais frequentados) tendem a ser evitados. A preocupação com a sustentabilidade também tende a se acentuar, dado o momento em que reflexões e questionamentos quanto os padrões de consumo e o futuro do planeta se sobressaem.

 

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