Muito se discute sobre os impactos, diretrizes e práticas de sustentabilidade em destinos, redes hoteleiras, bares e restaurantes e até companhias aéreas. Mas existe um grupo que por vezes passa “invisível” nesse debate: os atrativos turísticos.

Conforme define Beni (2001), os atrativos turísticos são “todo lugar, objeto ou acontecimento de interesse turístico que motiva o deslocamento de grupos humanos para conhecê-los”. Essa definição reforça a função dos atrativos como principais motivadores das viagens. Afinal, é fácil fazermos conexões mentais rápidas entre o Peru e o Machu Picchu, Paris e a Torre Eiffel, Orlando e Disney, Rio de Janeiro e o Cristo Redentor, não é mesmo?

O papel dos atrativos turísticos na experiência dos destinos 

Mas além de “motivadores”, os atrativos também são, em muitos casos, o coração da EXPERIÊNCIA turística – eles ajudam a construir e fortalecer a identidade e a marca dos destinos. Dentro da experiência em um atrativo turístico, o visitante é convidado a entender melhor o local, sua história, seus costumes e criar memórias baseadas naquilo que viveu ali. Em um contexto em que viajantes valorizam cada vez mais autenticidade, responsabilidade socioambiental e experiências significativas, atrativos comprometidos com a sustentabilidade deixam de representar apenas um diferencial competitivo e passam a compor a própria reputação do destino. 

O impacto econômico dos parques e atrações 

De acordo com o Panorama Setorial de Parques, Atrações Turísticas e Entretenimento no Brasil, elaborado pela Noctua Advisory em parceria com o Sindepat e a Adibra, o setor recebeu em 2025 143 milhões de visitantes com a geração de mais de 200 mil empregos entre diretos, de terceiros e indiretos, números que representam crescimento em relação a levantamento de anos anteriores, refletindo também o crescente investimento que vem sendo aplicado no segmento. 

Além da geração de empregos, impacto comum ao setor de serviços, os atrativos também representam movimentação direta na cadeia do turismo (hotéis, agências, operadoras) e movimentam uma ampla rede de fornecedores. Esse impacto em cadeia representa potencial de fomento econômico, mas também de valorização cultural. Ao priorizarem a gastronomia regional e o artesanato local, as escolhas dos atrativos perpetuam tradições e preservam patrimônios por meio da experiência.

Cultura e identidade na experiência turística 

O Grupo Xcaret no México representa esse princípio com clareza. O Grupo coloca como seu propósito de existência “fazer o planeta mais feliz contagiando nosso grande amor pelo México”. Suas experiências gastronômicas, culturais e ambientais atuam diretamente para celebrar a história e o folclore do país.

Fonte: Xcaret

Mas o potencial se estende para as experiências em si vividas nos atrativos, sejam eles naturais ou projetados. Experiências de lazer e entretenimento estão intimamente conectadas a oportunidades de sensibilização e inspiração para comportamentos mais equilibrados. Entender e vivenciar costumes diferentes alimenta a cultura da diversidade; aprender sobre a biodiversidade gera empatia e sentimento de pertencimento. Através de experiências, os atrativos turísticos podem efetivamente impactar positivamente a forma das pessoas se relacionarem entre si e com o meio. 

Educação ambiental: o caso do Parque das Aves 

O Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, oferece ao visitante uma imersão na Mata Atlântica. Ao longo da jornada, o público aprende sobre as espécies e suas ameaças, sendo convidado a refletir sobre como hábitos individuais impactam a conservação. O parque eliminou plásticos descartáveis, utiliza itens consumíveis biodegradáveis e oferece água em garrafas reutilizáveis e colecionáveis – transformando a sustentabilidade em souvenir e lembrança ativa.

Fonte: Parque das Aves

Ecoeficiência na gestão dos atrativos turísticos 

Vale destacar ainda o impacto das escolhas sustentáveis na eficiência operacional. Prover experiências consome água, energia e gera resíduos. Quando a gestão investe em ecoeficiência, a conta fecha com benefícios compartilhados. O AquaRio, no Rio de Janeiro, conta com a maior usina solar em telhado da cidade, com mais de 2.000 painéis solares que reduzem significativamente o consumo energético e evitam a emissão de toneladas de carbono anualmente. É a economia financeira aliada à conservação ambiental.

Fonte: AquaRio

Acessibilidade e inclusão no lazer 

Por fim, não podemos deixar de mencionar o óbvio: atrações turísticas geram lazer, um pilar fundamental para a saúde social e o bem-estar. Compreender esse papel nos conecta diretamente aos temas de acessibilidade e inclusão. É fundamental que os atrativos sejam pensados para acolher a diversidade humana considerando pessoas de todas as classes, raças, idades, e pessoas com deficiência ou neurodivergências, necessitam e têm direito ao lazer.

A Disney é uma grande referência global nesse quesito: por meio de seus conteúdos e parques, cria padrões de atendimento e infraestrutura estrategicamente pensados para que todos se sintam acolhidos e possam vivenciar a magia sem barreiras. No Brasil, já existem casos de grande impacto: o Parque da Mônica é hoje uma das principais referências em acessibilidade e inclusão, tanto na narrativa quanto no desenho das experiências. 

Atrativos turísticos e desenvolvimento sustentável 

O impacto dos atrativos turísticos vai muito além da bilheteria. Atrativos turísticos são oportunidades efetivas de convertermos experiências em sustentabilidade, são âncoras para o desenvolvimento socioeconômico de regiões, ativando toda a cadeia do turismo, e quando geridos a partir de diretrizes ESG, se concretizam em verdadeiros protetores de paisagens, recursos naturais, tradições e cultura. 

Se queremos consolidar o Brasil como uma potência do turismo sustentável, precisamos olhar para os atrativos não apenas como equipamentos de lazer ou visitação, mas como plataformas capazes de gerar desenvolvimento econômico, conservar patrimônios, fortalecer comunidades e transformar a percepção que visitantes levam do país. Afinal, é neles que a sustentabilidade deixa de ser um plano estratégico e passa a ser vivenciada por milhões de pessoas todos os anos.

 

Referências

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Talita Uzêda

Talita é Engenheira Ambiental e atualmente atua como Diretora de Sustentabilidade e Segurança no Grupo Cataratas, cuidando de temas que envolvem gestão ambiental, segurança do trabalho e do visitante, e impacto social e conservação. Está sempre no meio de projetos que cruzam ESG, compliance e experiência do visitante em atrativos como Paineiras-Corcovado, Marco das Três Fronteiras e AquaRio. Também é professora na pós-graduação em Gestão de Parques e Atrações Turísticas da UCS, Diretora Técnica da ABETA e membro dos Comitês de Sustentabilidade da IAAPA e do SINDEPAT/ADRIBRA. Sobre o Turismo Spot: "Vejo o Turismo Spot como uma iniciativa que amplia o debate sobre o turismo ao reunir diferentes vozes, experiências e perspectivas em um mesmo espaço. Em um setor tão dinâmico e interdependente, compartilhar conhecimento e estimular reflexões qualificadas é fundamental para impulsionar inovação, fortalecer a competitividade e construir um turismo cada vez mais sustentável."