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A pandemia de Covid 19 entra para a história como uma fase em que a humanidade experimentou um momento único de fragilidade, perdas trágicas e a cooperação pensada como grande ferramenta para enfrentar a crise, mas na prática, nem sempre utilizada. 

Em um mundo globalizado, o vírus se espalhou de forma avassaladora e as capacidades (sociais, econômicas, científicas, entre outros) de cada país para o enfrentamento da pandemia produziram resultados diferentes que ressaltaram as desigualdades de maneira contundente. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, 75% dos imunizantes aplicados até aqui foram administrados por 10 países e seu diretor-geral, Tedros Adhanom, classificou a distribuição global de vacinas contra o coronavírus como um “escândalo de desigualdade que está perpetuando a pandemia”.

O ritmo de vacinação está ditando a velocidade da retomada econômica dos países. A recuperação do turismo, uma das atividades mais afetadas pela pandemia em todo o mundo, depende diretamente disso. Os números são avassaladores e sem precedentes, segundo afirma a OEDC – The Organisation for Economic Co-operation and Development. A US Travel Association estima uma perda de US$ 500 bilhões em despesas de viagens, resultando na perda de US$ 64 bilhões em receitas fiscais federais, estaduais e locais. O WTTC – World Travel & Tourism Council estima que em 2020 houve uma queda de 49,1% de contribuição do turismo  para o PIB mundial e pelo menos 58 milhões de empregos perdidos.

Há uma aposta na resiliência do setor devido à velocidade de recuperação diante de outras crises, mudanças causadas pela pandemia e tendências de consumo. Mas é preciso acompanhar como será o retorno do turismo,  dependendo da situação de cada país. De toda maneira, estima-se uma recuperação gradual. Segundo a publicação do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID “Caribbean Quarterly Bulletin: Imagining a post-covid tourism recovery”, uma pesquisa com especialista realizada pela Organização Mundial do Comércio – OMC em 2021 apontou que 41% dos entrevistados acreditam que os níveis do turismo internacional de 2019 serão alcançados somente em 2024.

Na prática o turismo internacional passa a acontecer em alguns países que aceleraram o ritmo de vacinação, com uma série de regras a depender do mercado emissor. Veja algumas estratégias adotadas para retomada do turismo:

  • Bolhas de viagem: Austrália e Nova Zelândia liberaram viagens entre si sem necessidade de quarentena e apostam nesta estratégia como um caminho de recuperação econômica do setor de turismo.
  • Passaporte sanitário: a União Europeia aposta nesta estratégia como forma de estimular viagens com segurança. Trata-se de um certificado digital que indica que seu titular foi vacinado, que se submeteu a um teste de covid-19 que deu negativo ou que tem imunidade após ter tido a Covid-19. A iniciativa passa a valer a partir de 1º de julho e os países, cuja economia depende do turismo, estão se organizando para implementá-lo.
  • Turismo de vacina: Nova Iorque se prepara para vacinar turistas. A ideia da prefeitura é instalar vans na Times Square e em pontos turísticos da cidade e vacinar turistas com o imunizante da Johnson & Johnson, que é de dose única. Há outros exemplos dessa mesma prática, como é o caso de Dubai e outros lugares nos Estados Unidos.

Todas as estratégias adotadas podem ser controversas e ampliadoras de desigualdades. A pandemia ressalta a falta de fair play na competição pela supremacia econômica mundial. 

Mas que contribuição o setor de turismo pode e deve ter na ampliação dessas desigualdades? Qual caminho devemos seguir? 

Nós do Turismo Spot acreditamos no turismo como ferramenta de desenvolvimento, promotor da paz mundial e conector de culturas. Acreditamos que os países subdesenvolvidos que dependem majoritariamente do turismo internacional deveriam ter um apoio direto na imunização de sua população. Acreditamos na cooperação como um caminho prático e objetivo para um mundo com mais justiça social: vamos juntos?!

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Marcela Pimenta

Marcela Pimenta

Mineira que mora em Alagoas, mãe do Theo e da Lara, apaixonada pelo turismo desde sempre. Fica muito feliz todas as vezes que seu trabalho impacta positivamente a vida das pessoas. É fundadora da Turismo 360 junto com três sócios que são amigos, parceiros e profissionais admiráveis! Para Marcela o Turismo Spot representa o desafio de produzir conteúdo técnico de maneira leve, mas ao mesmo tempo eficiente e útil para os profissionais, gestores e empresários de turismo! Sem falar que o espaço é compartilhado com sua amiga e grande parceira profissional, estudiosa e referência na área de turismo, Isabela Sette!